|

ENQUETE DO MÊS:
|


SAM
PECKINPAH
David Samuel Peckinpah,
ou simplesmente Sam Peckinpah, ou Sammy para os mais íntimos, nasceu
em 1925 em Fresno, Califórnia, e faleceu de derrame cerebral aos
59 anos, em 1984. Estamos portanto há onze anos sem a presença,
por trás das câmeras cinematográficas, de um dos mais
categorizados ases do cinema mundial.
Descendente de colonizadores
pioneiros do Oeste americano, conforme se pode ler nas informações
disponíveis, era filho de advogado-caubói e neto de congressista,
depois juiz do Tribunal de Justiça.
Indisciplinado como garoto e
adolescente do tipo ´macho´ (´nunca engoli desaforos´,
costumava dizer), jogou ´rugby´ na escola secundária
de Fresno, buscando constantemente nos esportes uma válvula de
escape para sua têmpera violenta. Ganhou como adulto reputação
de alcoólatra (para os amigos era apenas um bom bebedor) e bom
de briga. Não provocava ninguém nem buscava complicações
com mulheres comprometidas, mas não fugia de enfrentar quantos
o desafiassem.
Orientado por amigos da família,
decidiu passar o último biênio do segundo grau na Escola
Militar de San Rafael e, aos 18 anos, em 1943, alistou-se na Marinha,
retornando à vida civil depois de prestar serviço na China.
Matriculou-se na Universidade de Fresno em 1947, onde veio a conhecer
e se apaixonar por Marie Selland, aluna de teatro, mulher inteligente,
a qual o motivou para a arte dramática e o interessou na leitura
de clássicos da literatura.
Peckinpah acabou estudando dramaturgia
e interpretação, tornando-se ator e autor de histórias
medíocres transformadas, por circunstâncias favoráveis,
em peças de relativo êxito. Depois disso passou a assistente
de direção e logo chegou a diretor. Nessa função
se mostrou disciplinado e desenvolveu um senso de criação
dramática mais consentâneo com a arte fílmica.
Compreendeu ser melhor o cinema como
veículo de expressão abrangente e de comunicação
e decidiu juntar-se primeiro à TV como estagiário de nível
e, em meados dos anos 1950, se tornou assistente e diretor de diálogos.
Outro acaso favorável foi ter conhecido Don Siegel, cineasta de
peso mais reconhecido fora dos EUA, notadamente pelos críticos
da ´Cahiers du Cinéma´ (François Truffaut, Jean-Luc
Godard, Eric Rohmer), os quais o consideravam um dos melhores cineastas
dos chamados ´filmes B´, como Justiça Tardia - ´The
Verdict´ (1946); O Cais da Maldição - ´The Big
Steal´ e Noite após Noite - ´Night Unto Night´,
ambos de 1946; Medo que Condena ´Count the Hours´ (1953) e
Rebelião no Presídio ´Riot in Cell, Block 11´
(1954).
Peckinpah começou a escrever roteiros
cinematográficos com regularidade e de melhor qualidade. Das lições
de Siegel se valeu para tornar-se diretor de filmes para a televisão.
Não admira ter criado e dirigido segmentos para séries de
sucesso como ´The Rifleman´ e ´The Western´. Foi
assistente de direção em Vampiros de Almas - ´Invasion
of Body Snatchers´, um dos melhores de Siegel (1955).
Tornou-se diretor de longas em princípios
dos anos 1960 e quase imediatamente ´ganhou a reputação
de um cineasta não-comprometido e com forte visão pessoal´,
como registram os enciclopedistas F. Klein e R. D. Nolan.
Era, todavia, de difícil
convivência, sempre tinha problemas com o chefe de estúdio,
com produtores e com a censura. Por isso, há quem explique sua
´demorada ascensão e rápido declínio´.
Seu primeiro longa foi O Homem
que Eu Devia Matar / Parceiros da Morte - ´The Deadly Companions´
(1961), seguindo-se-lhe Pistoleiros do Entardecer - ´Ride the High
Country´ (1962), ´um glorioso poema visual de amor ao Oeste
americano e seu legado transitório´, como escreveu Ephraim
Katz, como o foi também Meu Ódio Será Tua Herança
- ´The Wild Bunch´, filme considerado excepcional na sua carreira
de realizador, apesar da violência explícita, massiva e sanguinolenta
durante o qual fez uso cinemático da câmara semilenta e conduziu
todos os atores a uma interpretação memorável, com
William Holden à frente do elenco. O nível de tensão
e suspense por ele criado até o clímax dificilmente terá
sido igualado.
Seu horror diante do genocídio
nazista, dos ´gulags´ da Rússia soviética e
das ditaduras, civis, militares, sua preocupação com a onipresença
da violência (infelizmente, ´a grande parteira da história´)
e do mal em toda parte, para os quais não encontrou resposta convincente,
bem assim a ambivalência da moralidade e a corrupção
intrínseca do homem, por certo abriram caminho para a criação
de personagens complexos, sempre inseguros em relação a
sua identidade e estrutura moral.
Mas não havia nada de
ambíguo na visão do próprio Peckinpah, segundo a
qual o homem é uma besta ignóbil e um ´gorila lúbrico´.
Embora muitos questionassem a insistência de Peckinpah em mostrar
muito sangue em seus filmes, isso em verdade, segundo Katz, era uma expressão
da busca do cineasta por um mundo melhor.
Para Peckinpah, este no qual
vivemos e viemos para ele, sem saber e sem querer, e nele vamos morrer,
decididamente não presta - é o pior dos mundos.
Seu filme Cruz de Ferro - ´Cross
of Iron´, é bem uma mostra do seu pensamento como autor e
da sua competência como cineasta e cidadão ético.
D
E S T A Q U E
 .jpg) 
MEU
ÓDIO SERÁ TUA HERANÇA
Sinopse:
Eles já foram os mais perigosos foras da lei da fronteira, seguindo
seu próprio código de honra e lealdade. Assaltos e fugas
pelas áridas planícies do oeste, sempre colocando suas cabeças
a prêmio. Mas os tempos mudaram. O lucro estava cada vez menor e
o risco cada vez maior. Era hora de parar... mas, a ganância fala
mais alto! Um assalto a trem. Dez mil dólares para executar o serviço:
roubar o carregamento de armas para um poderoso bandoleiro mexicano. Nada
poderia detê-los... a não ser a morte! William Holden (de
Inferno na Torre), Ernest Borgnine (de Os Doze Condenados) e grande elenco
em incr&iacugnine (de Os Doze Condenados) e grande elenco em incríveis
atuações na versão original do diretor Sam Peckinpah.
Gênero: Western
Atores: William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond OBrien, Warren
Oates,
Direção: Sam Peckinpah,
Idioma: Inglês,
Legendas: Português, Inglês, Espanhol,
Ano de produção: 1969
País de produção: Estados Unidos,
Duração: 142 min.
Áudio: Dolby Digital (Inglês: Dolby Surround Stereo 5.1)
Vídeo: Widescreen (Cinema)
Cor: Colorido

Uma gangue
com um código de honra, a caminho de mantê-lo
.jpg)
1973 - Pat Garrett e Billy the Kid (Pat Garret
and Billy the Kid)
.jpg)
1977
- A Cruz de Ferro (Cross of Iron)
1983
- O Casal Osterman (The Osterman Weekend)

|
|