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Está faltando um filme de 1946 "Asu o tsukuru hitobito" para completar a filmografia de Akira Kurosawa, se por acaso alguém encontrá-lo, peço que entrem em contato comigo para negociarmos.

Profissão: Diretor
Nascimento: 23/3/1910
Falecimento: 6/9/1998

Cidade: Omori
Estado: Tóquio
Pais: Japão

Biografia:

Akira Kurosawa foi pintor, ilustrador de revistas, publicitário e assistente de direção antes de se tornar cineasta. Mesmo depois de ter feito alguns filmes, continuou escrevendo roteiros e produziu mais de 20 argumentos até 1965.

Cineasta japonês mais conhecido no Ocidente, Kurosawa também ajudou a popularizar o cinema em seu país. O Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1950 para Rashomon chamou a atenção para o diretor. Com Os Sete Samurais (1954), Kurosawa conseguiu também sucesso de público. Nos Estados Unidos, a trama foi adaptada para o western Sete Homens e Um Destino, dirigido por John Sturges, em 1960.

O heroísmo é um tema recorrente em sua obra. Seus protagonistas invariavelmente preferem a honra a qualquer outro valor. O cineasta declarou que deriva daí o seu gosto por Shakespeare, de quem adaptou Rei Lear (Ran) e "Macbeth" (Trono Manchado de Sangue). Outro assunto abordado com freqüência é a bomba atômica. Um episódio de Sonhos e o filme Rapsódia em Agosto expõem a visão pessimista do diretor diante da explosão que destruiu duas cidades japonesas.

Kurosawa chegou a tentar o suicídio no começo dos anos 70. O motivo seria um misto de problemas financeiros e a incompreensão que enfrentava em se próprio país. Recuperado, rodou Dersu Uzala, em co-produção com a então União Soviética.

Apoiado por cineastas norte-americanos como Francis Ford Coppola e George Lucas, obteve recursos para criar novas obras-primas como Kagemusha. Foi laureado com dois Oscar de filme estrangeiro e um prêmio honorário da Academia de Hollywood. Morreu de hemorragia cerebral em 1998.

D E S T A Q U E

 
Detalhe do cartaz original de Os Sete Samurais

Os Sete Samurais
Shichinin no samurai, Japão, 1954
Diretor: Akira Kurosawa
Gênero: Drama
Duração: 160 minutos
Elenco: Takashi Shimura - Kambei Shimada
Toshirô Mifune - Kikuchiyo
Yoshio Inaba - Gorobei Katayama
Seiji Miyaguchi - Kyuzo
Minoru Chiaki - Heihachi Hayashida
Daisuke Katô - Shichiroji
Isao Kimura - Katsushiro

Sinopse: Uma típica vila do Japão Feudal é constantemente atacada por bandoleiros. O poder dos bandidos, que estão muito bem armados, amedronta seus habitantes, e estes decidem pedir a ajuda para Kambei Shimada (Takashi Shimura) um velho samurai que luta por apenas um prato de comida. Kambei aceita a proposta e recruta outros 6 guerreiros para defender a vila. Parece pouco, afinal, são mais de 40 bandidos contra 7 samurais famintos. Mas a força dos guerreiros não está simplesmente na luta, e sim em ensinar aos camponeses como se defender da opressão.
Filme mais conhecido de Akira Kurosawa, "Os Sete Samurais" é presença obritatória em quase todas as listas de maiores filmes da história. A luta dos camponeses contra os bandidos é uma metáfora perfeita para a luta contra a opressão e a busca da liberdade.


Aplausos, que ele merece!

Que Akira, aos 81 anos, é o maior nome do cinema japonês, não há a menor dúvida. O Japão lhe deve a projeção de sua arte cinematográfica, pois em seus 46 anos de cinema, 29 filmes, dezenas de roteiros, o Leão de Ouro no Festival de Veneza e a Palma de Ouro em Cannes, além do Oscar especial que recebeu no ano passado, Kurosawa fez com que o distante e difícil cinema nipônico chegasse às mais diferentes platéias. Se durante décadas os seus filmes - como o da maior parte de realizadores japoneses - permanecia restrita a comunidades nipo-brasileiras e uma elite de cinéfilos (ainda restritos), hoje ele - como outros gênios contemporâneos das imagens (o sueco Ingmar Bergman, o italiano Federico Fellini, o americano Woody Allen), faz com que imensas faixas aproximem-se de seus filmes.

E de toda sua imensa filmografia - grande parte conhecida dos que se interessam, graças a mostras e retrospectivas habituais (além do lançamento regular de muitos títulos), sem dúvida que "Sonhos" é o mais lindo, lírico e absorvente de seus filmes.

Só um artista e pensador em sua plena maturidade poderia conceber uma obra em que unisse a reflexão, a visão onírica de um território tão imenso como o dos sonhos - como um verdadeiro hino em favor da humanidade. Embora se espere que Akira, com auxílio de seus amigos Spielberg, Coppola e Lucas (que têm apoiado seus projetos mais recentes, para os quais - incrível! - não encontra financiamento no Japão), realize ainda mais algumas obras, com "Sonhos" ele nos dá seu testamento definitivo.

Um filme que fala ao olhar e ao coração - com a mensagem mais necessária de ser transmitida em nossos dias - um grito desesperado de alerta ao homem para não destruir o seu planeta.

No primeiro (dos oito) capítulos dos "sonhos" que, autonomamente - mas com uma integração perfeita - há as grandes causas pelas quais se tenta apelar: o amor, a natureza, o entendimento entre as pessoas, os riscos da guerra nuclear e, sobretudo, a lição e a experiência de quem sabe ver o mundo com o olhar simples do centenário aldeão que, no final - no profundo "O Povoado dos Moinhos" - deixa uma lição para ser reflexionada por todos.

Embora todos os sonhos sejam perfeitos em sua concepção, em algum momento a emoção é ainda maior. No "Pomar dos Pessegueiros" - a utilização de toda uma fantasia calcada na melhor tradição teatral japonesa, o deslumbramento justifica as palmas como se ouviram em sessão dominical no Cinema I. Plasticamente, "Corvos" é um dos momentos de maior perfeição obtidos no cinema.

Há 35 anos, Vicent Van Gogh era vivido por Kirk Douglas em "Sede de Viver", de Vincent Minelli (Anthony Quinn, aparecendo apenas 8 minutos como Paul Gauguin, ganhou o Oscar de melhor coadjuvante). Mais recentemente, outro americano, Robert Altman ("Nashville", "Cerimônia de Casamento"), inspirou-se na correspondência de Van Gogh ao seu irmão para "Vincent e Theo", com Tim Roth e Paul Rhys (inédito no Brasil). Kurosawa, que é também um artista plástico (e que segundo algumas de suas biografias chegou até a tentar o suicídio pela falta de reconhecimento pelo seu trabalho), dedicou o mais plasticamente belo dos seus "Sonhos" a uma homenagem ao pintor holandês.

Assim, o sexto sonho do filme chama-se "Corvos". O personagem "Eu", alter-ego de Kurosawa, está num museu diante de obras de Van Gogh, entre eles "Noite Estrelada", "Campo de Trigo com Corvos", "Meu Quarto" e "Auto-Retrato". Aproxima-se dos quadros, transporta-se e reaparece em Auvers-sur-Oise, no Sul da França, à procura do pintor. Lavadeiras, retratadas por Van Gogh ao lado da ponte onde passa uma carruagem, dizem que o louco é perigoso ("faz poucos dias que deixou o hospital"), mas apontam ("acabou de passar por ali"). "Eu" corre ao encontro do mestre (interpretado pelo cineasta Martin Scorcese, outro fã de Kurosawa). Van Gogh explica que não pode parar para conversar, dizendo:

- "O sol me compele a pintar, me impulsiona como um trem".

Antes de partir, conta que cortou uma orelha, pois não conseguia retratá-la em seu último auto-retrato.

Tomado pelo delírio (e com efeitos especiais da Light and Magic, de George Lucas), "Eu" passeia pelas ruas, casas, campos pintados por Van Gogh. A plasticidade e a emoção captadas nas pinceladas impressionistas se ampliam no cinema. Neste cenário cromático (recriado em estúdios e locações no Japão), há uma verdadeira aula de cinema (como todo o filme) e imagens.

Só por ela, já valeria ver e rever o filme na tela ampla do Cinema I (existe vídeo selado, da Warner, à disposição, mas não se recomenda: jamais traduziria na telinha a emoção de uma obra prima como esta). "Sonhos", em cada um de seus segmentos, pode justificar longos ensaios e apreciações. O melhor, entretanto, é assisti-lo enquanto está em exibição. De uma coisa tenho certeza: não sei ainda quais serão os outros nove melhores filmes lançados em 1991 em Curitiba - mas o de Akira Kurosawa estará entre os primeiros.





FILMOGRAFIA

1943 - Sugata Sanshiro
1943 - Sugata Sanshiro



1945 - Os homens que pisaram na cauda do tigre (Tora no o wo fumu otokachi)


1946 - Asu o tsukuru hitobito (FALTA)


1947 - Subarashiki nichiyobi


1949 - Cão danado (Nora inu)


1950 - O escândalo (Shubun)


1951 - Hakuchi, o idiota (Hakuchi)


1954 - Os sete samurais (Shichinin no samurai)


1957 - Ralé (Donzoko)


1958 - A fortaleza escondida (Kakushi toride no san akunin)


1961 - Yojimbo, o guarda-costas (Yojimbo)


1963 - Céu e inferno (Tengoku to jigoku)



1970 - Dodesukaden



1980 - Kagemusha, a sombra do samurai (Kagemusha)



1990 - Sonhos (Yume)



1993 - Madadayo (Madadayo)


COMPLETA

1944 - Ichiban utsukushiku
1944 - Ichiban utsukushiku



1945 - Zoku Sugata Sanshiro



1946 - Waga seishun ni kuinashi


1948 - O anjo embriagado (Yoidore tenshi)


1949 - Duelo silencioso (Shizukanaru ketto)


1950 - Rashomon (Rashomon)


1952 - Viver (Ikiru)


1955 - Anatomia do medo (Ikimono no kirodu)


1957 - Trono manchado de sangue (Kumonosu jo)


1960 - Homem mau dorme bem (Warui yatsu hodo yoku nemuru)


1962 - Sanjuro (Tsubaki sanjûrô)


1965 - O barba ruiva (Akahige)



1974 - Dersu uzala (Dersu uzala)



1985 - Ran (Ran)



1991 - Rapsódia em agosto (Hachigatsu no rapusodî)